27 janeiro 2011

Sidney Sheldon, Nicholas Sparks e Rosamunde Pilcher

Sério, eu tentei procurar, mas acho que sou única.
Digitei no google entre aspas "Odeio Sidney Sheldon", mas apareceu um único resultado e certamente em tom de ironia. Serei única no mundo?
Nesse post quero escrever sobre três autores famosos que escreveram grandes livros de sucesso.
Os primeiros livros que li de Sidney Sheldon, realmente causaram o que deveriam causar. Tornei-me fã. O primeiro livro me deixou com aquele sentimento "o cara é o melhor". Li o segundo, amei, li o terceiro, gostei, li o quarto, achei legal... li o quinto... e comecei a me tocar da receita de bolo. Os livros são absolutamente iguais! As mesmas falas, se não as mesmas, ao menos sempre a mesma estrutura. Parece que os personagens só sabem falar frases curtas. O personagem principal... quer dizer, A personagem principal (quase sempre é uma mulher), tem grandes feridas no coração, nunca é de todo má, mas sempre tem prazer em matar as pessoas, sempre burla as leis para ficar rica, SEMPRE É LINDA (isso nunca muda), sempre encontra problemas com a polícia... (mas sempre consegue fugir deles)... caramba... é tudo a mesma coisa. Comecei a ler "Senhora do Jogo", sabendo como seria o final. Esse livro foi escrito por Tilly Bagshawe, uma escritora, fã de Sheldon, contratada pela família dele para continuar a escrever os livros dele depois de sua morte. Mas é como se fosse o autor escrevendo. Lexie era absolutamente linda, tinha uma família totalmente desestruturada, era rica, famosa, má, perversa, foge da polícia... mas Bagshawe nos faz acreditar que ela é boazinha, é a vítima. Tanto Sheldon quando Bagshawe, tratam a polícia local de um determinado local como se fossem palhaços. Sempre tem aquela de que o chefe da polícia descobre o que a mocinha (personagem principal do livro) está fazendo de errado. Geralmente são crimes absurdos, como assassinatos, grandes desvios de dinheiro... mas ele (o chefe de polícia) decide fazer tudo sozinho, sem comunicar o FBI, afinal, aquela é a oportunidade de ele "passar o resto de seus dias no Taiti desfrutando sua aposentadoria". Pode procurar no livro, o chefe da polícia SEMPRE vai querer passar o resto de seus dias no Taiti. O autor trata melhor do FBI. São os grandões que intimidam todos. E quase sempre eles tem nomes estranhos no livro. Quase sempre. Ah, e as mortes são inevitáveis. Ah, e TODO MUNDO no livro é perverso, e faz coisas perversas. É realmente nojento. E tem palavrão pra ar e vender. E os palavrões não tem nenhuma função comunicativa no livro, se é que entendem o que eu quero dizer. Estão lá simplesmente para reforçar o mau caráter dos personagens.
Bom... Nicholas Sparks... caramba. Não aguento ler mais nenhum livro dele. Se você começar a ler um livro, e nesse livro falar de um homem que se apaixona por uma mulher (todos os livros são assim), pode ter certeza de que a mulher vai morrer. No parto, de preferência. Elas sempre morrem no parto, mesmo nós estando em pleno século XXI. E o autor vai sempre escrever de coisas que não são explicadas pela ciência, tais como efeitos sobrenaturais e poderes sobrenaturais. Ah... e a mocinha sempre é linda, absolutamente linda. E os homens dos livros dele, SEMPRE, fazem qualquer coisa pelas mocinhas pelas quais estão apaixonados, a ponto de deixar casa, emprego e família em Nova Iorque e se mudar definitivamente para uma cidade minúscula e pacata no sul do EUA. E eles sempre tem certeza que aquele amor é para sempre, mesmo não conhecendo as mocinhas. Quando eu terminei de ler "O milagre", fiquei me perguntando se os homens realmente eram tão idiotas quanto o livro mostra que são. Fiquei sem resposta. Lembre-se, nos livros de Nicholas Sparks, SEMPRE alguém vai morrer. Macabro. =S
Rosamunde Pilcher... ai. Não consigo ler mais nenhum livro dela, pois sei exatamente como vai começar, como vai terminar, o local escolhido para implantar a estória... Sempre a mesma coisa: paisagens da Escócia, Cornualha (onde ela nasceu). No máximo Londres. Ela escreve sobre problemas familiares, paixões esquisitas, tias igualmente esquisitonas, filhos órfãos ou bastardos... mas sempre a mesma estória, a mesma paisagem, os mesmos personagens... Estava lendo num blog, o que uma blogueira escreveu sobre "O Carrossel", um livro de Pilcher. Olha só:
A forma como Prue se “descobre” apaixonada por Daniel (e ele por ela) é tão rápida que você mal consegue digerir o “porquê” de terem se apaixonado...
Prue viajar com Daniel? Ele sempre fora sozinho e por quê do nada ele se apaixona, se vê paternal e quer Prue a seu lado? Estranho...
Acredito que a história na primeira metade é até lenta, mas depois os dramas vêm à tona e, quando vemos, tudo fica pra ser resolvido nas últimas páginas! Daí parece que correu demais pro fim e que algumas coisas ficaram “soltas”. Fonte: Paixão por livros
Tudo isso sem mencionar (ainda) Agatha Christie. A mesma receita, todos os livros: o assassino é sempre a pessoa que você menos imagina, é sempre aquele personagem bonzinho de quem todo mundo gosta. Tanto é que nas primeiras páginas do livro já sei quem é o assassino. Nunca errei.
Li, esses dias, "Sedução Fatal", de Lisa Scottoline. Esse livro foi o único que li dela, mas fiquei muito desapontada. Como a Seleções pode publicar um livro tão ruim? Ela maltrata a personagem, Mary DiNunzio, transformando-a em uma verdadeira pateta. E a autora parece não saber nada sobre o FBI. Ao contrário de Sidney Sheldon, ela nem se esforça para descrever os caras do FBI como assustadores. No livro, eles parecem uns bobocas. E por mais boba que seja a personagem principal, ela sempre vai descobrir as pistas antes que a polícia, antes que o FBI. Por favor, o que ela acha que está fazendo? Acho que vai ser processada por fazer isso com o FBI. Eles são simplesmente ridículos no livro! Ficam sentados, ouvindo as testemunhas. Quando alguém diz algo revelador, eles se entreolham e... não acontece nada! Gente, o FBI tortura, mas a autora os transformou em homens bonzinhos que fazem parte do Clube do Bolinha. *exasperante*.
Fico me perguntando como esses autores conseguiram vender tanto. Nem quero encontrar uma resposta. Uma mesma sociedade que ouve Justin Bieber, devora livros do Crepúsculo (sobre isso nem vou falar) e discute sobre Hitler. Vocês acham que combina? Bieber, Crepúsculo e Hitler. Ah, e o FBI. Clube do Bolinha. Tô pensando em escrever meus próprios livros. =S

1 comentários:

Joao C Marcuschi disse...

TheseEsses autores só querem capturar a atenção pontual do leitor. Nao criam tipos psicologicos, morais, que nos levem a uma viagem interior. É so distração barata, por isso vendem muito. Apenas para caracterizar o fato, leia um conto de "Tchekov", depois sinta a diferença entre qualidade e lixo literário.