30 julho 2008

Bebidas não-alcoólicas

Fatos importantes:
  • O homem consumiu uma grande variedade de bebidas ao longo do século, em parte por causa da qualidade duvidosa da água.
  • Bebidas como chá, café e chocolate ofereciam também efeito estimulante. O estímulo era tão perceptível que a partir do século XVI alguns governantes proibiram o café, e na Inglaterra do século XIX vários industriais quakers promoveram o chocolate como alternativa ao álcool, por ser menos danoso à sociedade.
  • No passado, os ingredientes das bebidas quentes eram muito caros, razão pela qual elas se tornaram o ponto central das cerimônias formais.
História das ervas
Desde a Pré-história, as ervas são fervidas em água para fazer infusões. Chás de urtiga, hortelã e camomila eram comuns na Europa muito antes da chegada do chá autêntico (Camellia sinensis), proveniente da China. Os próprios chineses antigos faziam infusões com plantas que iam do crisântemo ao gengibre. Havia uma extensa literatura dedicada a essas bebidas e às suas propriedades medicinais e espirituais.

A bebida favorita dos ingleses
O chá é apreciado pelos ingleses desde 1657. Foi levado da China para a Europa pelos holandeses, os quais, como outros europeus do continente, logo passaram a preferir o café. Os ingleses continuaram fiéis ao chá. No fim do século XVIII e no século XIX, foram criadas extensas plantações de chá no norte da Índia, no Ceilão (Sri Lanka) e, mais tarde, na África oriental. O chá se tornou uma bebida diferente: enquanto os chineses preferiam um sabor delicado, os ingleses apreciavam uma infusão rica em tanino, misturada com leite.

Tradição do chá
O primeiro registro de consumo de chá data de cerca de 200 a.C., no sudoeste da China, de onde o produto se difundiu. Na época da dinastia Tang (618 - 907 d.C.), estava presente em toda a China e as etapas de seu preparo haviam se convertido em ritual.
Monges budistas levaram o chá para o Japão. Oficializados por Sen no Rikyu (1521 - 1591) com cem regras, os procedimentos da Cha-no-yu ("cerimônia do chá") criam um momento de simplicidade e reflexão de um dia agitado.

  • Curiosidade: Durante séculos, o chá foi uma mercadoria cara e muito apreciada. Na Inglaterra, os primeiros recipientes usados para guardar chá eram equipados com trancas. Na Rússia e na China, o chá em barras era usado como dinheiro.

Café
O café surgiu nas montanhas da Etiópia. Seu uso é relativamente recente, sendo adotado como bebida por volta do século IX d.C. Foi transportado pelo Mar Vermelho até o porto de Mocha, no Iêmen onde, em 1100, desenvolveram-se extensas plantações. Os primeiros consumidores de café eram sufis (místicos muçulmanos) que associavam a excitação causada pela cafeína à passagem para um plano espiritual mais elevado. Por volta do século XV, havia uma cultura do café em todo o mundo muçulmano. Entre 1600 e 1700, o Ocidente seguiu o exemplo e casas de café se multiplicaram na Europa.

Coca-Cola
O mais famoso refrigerante foi inventado em Atlanta, na Geórgia, em 1886, pelo Dr. John S. Pemberton. A fórmula original incluía nozes de cola misturadas a folhas de coca moídas. No início, a bebida era vendida como um tônico com propriedades medicinais. Pemberton vendeu os direitos do produto para a farmacêutica Asa Candler, de Atlanta, que, em 1917, tornou a Coca-Cola a marca comercial mais conhecida do mundo.

Chocolate
Essa bebida foi fabricada pela primeira vez pelos olmecas, talvez por volta de 1200 a.C. Os maias e astecas também a apreciavam, e as sementes de cacau foram muito usadas como dinheiro. Os europeus levaram algum tempo para apreciar o chocolate. Os conquistadores achavam a bebida consumida pelos astecas um tanto amarga, mas a adição de açúcar fez toda a diferença. O chocolate se popularizou no século XIX depois que o holandês Coenraad Van Houten descobriu uma forma de extrair manteiga de cacau das sementes, tornando possível a produção industrial.

Mate
O mate é a bebida que conferiu ao gaúcho dos pampas argentinos seu orgulho. Também é muito consumido no Chile, no Uruguai e no Brasil. A infusão das folhas e raízes da planta llex paraguariensis tem efeito levemente estimulante, graças à teína (cafeína) nela contida. A princípio, "mate" não era o nome da bebida e sim da cabaça de onde era sugada através de um canudo de metal chamado bombilha. O mate era (ainda é, em muitos lugares) consumido em um recipiente passado de pessoa para pessoa em encontros sociais.

A opção dos eslavos
O kvas é apreciado tanto pelos ricos quanto pelos pobres da Rússia e de outras terras eslavas há séculos. Pode ser consumido em qualquer momento do dia e já foi muito vendido por ambulantes nas cidades. Bebida refrescante, o kvas é feito de pão fermentado, mas seu teor alcóolico é insignificante. Era adoçado com mel ou frutas, substituídos mais tarde por açúcar.

18 junho 2008

O que é o pesquisador?

O que é o pesquisador?

Pesquisa - substantivo feminino 1. Conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, artístico etc. 2. Investigação ou indagação minuciosa 3. exame de laboratório. Chato não? Pois é, mas quando eu vou para o laboratório, com meu jeans e minhas havaianas, eu observo e brinco. Uma vez uma professora de psicologia disse que os animais aprendem observando os mais velhos, e os humanos também aprendem brincando. Isso nunca me pareceu tão verdadeiro. Posso dizer que brinco de conhecer, isso é pesquisa para mim. Tudo bem, concordo que sou suspeita para falar! Não nego, mas nessas poucas linhas vou tentar mostrar o universo do meu quarto de brinquedo: o campo da pesquisa. Mais especificamente a pesquisa no campo biológico.

Se você acha que pesquisar é ficar o dia inteiro trancado em um laboratório fazendo contas, misturando líquidos coloridos e procurando respostas para problemas aparentemente estúpidos... É talvez, mas só talvez, você esteja um pouco certo. Manipular instrumentos, fórmulas, ratos e teorias é parte de nossa rotina, mas só uma parte. O que mais me encanta é o imenso trabalho teórico e a profunda reflexão que os resultados das nossas manipulações trazem. A pesquisa não é para todos, isso é um fato. Ela pode ser bem ingrata, mas mesmo arredia e absurdamente cética, não esconde sua misteriosa beleza. Essa é a chave - o mistério. Se enveredar pelo mundo científico é para aqueles colegas que vivem fazendo perguntas nos últimos minutos da aula. Só para empolgar o professor e passar do horário. Perdoe-nos colegas, estamos tão maravilhados que esquecemos de olhar no relógio. Diria que o mundo das investigações é para aqueles amigos que inoportunamente acham um monte de temas derivados daquele tão simples que a professora passou. E vai sobrar para todo mundo falar lá na frente. Desculpe-nos amigos, é que achamos tão interessantes os temas que não podíamos deixar de citar. Para esse, é um prazer se ver mergulhado em questões ainda sem resposta. Afinal o que seria do mundo se soubéssemos de tudo? Filosófico demais? Vá se acostumando, até nossos números são dotados do mais profundo sentido, mesmo que sejam apenas números. Poderia dizer que ser cientista é ser muito curioso, filósofo e paciente (e que paciência). Ser muito, mas muito sortudo, “magaiver” e principalmente insaciável, característica incompreensível para muitos. “Para que me serve saber como se agrupam as moléculas para formar o fio de cabelo? Não basta saber que ele existe que temos que domá-lo todas as manhãs?” Foi mal, mas para nós não basta, é simplesmente fantástico ver os polímeros agrupadinhos. – Me desculpe, empolguei. – Resumindo, se é que é possível, o pesquisador é uma pessoa normal – temos que acreditar nisso – apenas curiosos demais e apaixonados pela arte de estudar, conhecer e descobrir. Somos fissurados pelos mais diversos temas, por isso vivemos com os narizes enfiados nos livros. Se você é assim, bem vindo ao grupo. Se não, desculpe-nos o transtorno. Brincadeirinha. Obrigado pela paciência.

P. S. Prometo que na próxima edição tentarei falar dos aspectos concretos da pesquisa.

by Melanie Alves – aspirante à pesquisadora